Pesquisar este blog

sexta-feira, 27 de maio de 2011

De alguém especial

Talvez tenha sido por um olhar,
Talvez por um sorriso,
Talvez tenha sido por aquelas palavras ou talvez aquele instante contigo.
Talvez, um dia, estaremos juntos e talvez tudo será esquecido,
Talvez possa existir outro momento e aí quem sabe....
Nem tudo estará perdido.
Talvez!

Perguntaram-me

- O que ela tem de tão especial?
Já comecei dizendo, ela têm – no plural! Porque não é uma, são várias, e não praças, pois é única. Se bem que às vezes parece multiplicar-se... Não, são os copos a mais, não só eles.
Ninguém se refere a Praça Roosevelt sem aludir, no mínimo, duas de suas particularidades numerosas. Uma praça modesta que permite dela, falar o necessário.
Poetas, gente de teatro, gente da música e da tinta. Gente normal também tem. Lá tem arte e a criatividade borbulhante. Lembra-me o caldeirão de feijoada do La Barca aos sábados a tarde, as sombras das arvores, Os Satyros I e II, o 184, o Teatro do Ator, os gentis Parlapatões, mais um boteco o PPP... Do outro lado um colégio e na Rua Gravataí o Ria. Próximo tem o famoso “Arena”, além da Companhia do Feijão, Galpão Folias e o Fábrica.  Às vezes parece que vai transbordar.
O que eu preciso.
Ela precisa estar lá. Com as mesas nas calçadas. Vida ativa para o bem comum. De um todo.
Se não tivesse a Praça Roosevelt, eu seria menos feliz.
Se tirasse ela de mim eu ficaria triste.
A biografia ficaria sem graça...
Bicho, Ela é Especial.

Fora um encontro mais-que-perfeito.

Então nos víramos naquele café, daquela linda rua, naquele bairro agradável.
Meio sem jeito - os dois – começáramos assunto que ainda não soubéramos ao certo se fora um assunto, mas que certamente fora o ponto de partida.
Sorrisos, gentilezas, histórias impressionantes (foram elas como foram).
Entre nós, carinhos. Leves toques nas mãos bastaram, mas quiséramos muito.
Mais histórias, carinhos e com vontade maior, a do beijo.
Aí não tivera fim. Durara, sabe...

Por sentir falta

Sinto sua falta,sim, eu sinto.
Sua falta, sim eu sinto
Falta, sim, eu sinto sua
Sim, eu sinto sua falta
Eu sinto sua falta sim.
Sinto sua falta, eu...

Uma análise do poema Áporo de Carlos Drummond de Andrade


Áporo é uma palavra que até o momento têm 3 significados.

- Um inseto que cava terra a dentro
- Um teorema sem solução ou de difícil solução
- Uma orquídea

À primeira vista, esse poema de Carlos Drummond de Andrade(1902-1987) não impressiona muito, mas é simplesmente genial.

Temos, então, um áporo (inseto) que está em um áporo (situação difícil) e se transforma em áporo (orquídea).

Agora vem o melhor. Dissequemos o ponto central do poema, que é o inseto. A palavra vem do latim insectum, cujo radical é sec e indica que os insetos possuem corpo segmentado (imagine uma formiga e seu corpo compartimentado, por exemplo). No português temos a palavra inseto, cujo radical portanto é se.
A seguir, tomemos o radical se e listemos todas as sílabas que têm afinidade sonora com ele: si, ce, ci, ze, zi. Consideremos também o seu inverso es e sílabas afins: es, is, ez, iz, ex, ix.

Vamos então voltar ao poema e procurá-las:

Um inSEto cava
cava SEm alarme
perfurando a terra
SEm achar EScape.
Que faZEr, EXausto,
em paÍS bloqueado,
enlaCE de noite
raIZ e minério?
eIS que o labirinto
(oh razão, mIStério)
prESto SE dESata:
em verde, soZInha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-SE.

Observe como na primeira estrofe o radical se aparece "aprisionado" atrás de uma barreira de palavras.
 Nas duas estrofes seguintes, ele começa sua metamorfose em ze, ex, is, ce, iz e es. Na última, sofre a transformação final e liberta-se na palavra forma-se, na qual a sílaba brota livre, como uma flor na ponta do caule. Forma-se verde como a esperança e antieuclidiana, desafiando toda a lógica.

Eis a minha Viajem:

Um inSEto cava
cava SEm alarme
perfurando a terra
SEm achar EScape.

Neste enigma o inseto – indivíduo se encontra em uma situação aporética, labiríntica. Perdido e oprimido por um regime que não lhe concede a liberdade
Veja como o poeta brinca com o radical da palavra Inseto, misturando o se do meio de uma palavra, levando ele para o começo de outra e o invertendo es. (Inseto - indivíduo perdido)

Que faZEr, EXausto,
em paÍS bloqueado,
enlaCE de noite
raIZ e minério?

Veja aqui como no centro do poema o inseto – indivíduo se perde mais e passa por um processo de metamorfose através de um trabalho árduo e paciente. O radical se depois de se inverter ele torna-se ze, ex, is e ce em um país bloqueado, envolto por terra sem muito que fazer a não ser cavar - trabalhar pacientemente para se encontrar, se libertar. Enlace de noite , escuro sem poder se ver ou ver o que faz, como saber para onde cavar e como cavar pois ele esbarra-se e complica-se, perde-se, mistura-se entre raiz e minério os quais são seus obstáculos.

eIS que o labirinto
(oh razão, mIStério)
prESto SE dESata:
em verde, soZInha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-SE.

No final da luta e ainda em metamorfose o inseto – indivíduo rompe toda a razão e o mistério da matemática. Antieuclidianamente.
Antieuclidiana, é uma referência à anti-razão. A razão está representada por Euclides, pai da matemática.
Rompendo a razão da matemática de Euclides, o inseto - indivíduoem forma de esperança verde brota em flor de três pétalas como oTriangulo de três pontas e lados iguais (a forma perfeita).
E separa-se da palavra forma, ganhando sua liberdade, se – individual, sendo melhor que as dificuldades.

O poema dá margem a várias interpretações. O áporo-inseto pode ser o cidadão oprimido pela ditadura no "país bloqueado", silenciosamente tramando a libertação na clandestinidade, "no enlace de noite, raiz e minério". A linha "presto se desata" sugere isso na alusão ao sobrenome do revolucionário Luís Carlos Prestes.
O áporo-inseto também pode ser o poeta que enfrenta o desafio da página em branco e finalmente logra escrever o poema. O texto vale-se de uma corruptela da corriqueira expressão "sem alarde" para acomodar "sem alarme", homenageando assim o poeta francês Mallarmé.

E as Tranças

Cheiro pele clara,
Límpida água.
No corpo que escorre
E desenha.
E gotas,
Luz que brilha,
Cores diamante.
E as tranças,
E as tranças,
Estão lá, costeiam ...

Indigência

A minha vontade é de não pensar mais nela.
Não falar com ela,
E nem dela.
Não encontrá-la,
Não tê-la conhecido.
Mas eu a conheci,
A encontrei.
E dela eu falei,
Com ela também.
Essa minha indigência que  não me deixa esquecê-la!