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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Levaram meu umbigo!

(Foco de luz no canto esquerdo do palco personagem 1 sem camisa e com um curativo no umbigo).
1:
A coisa tá feia. Não dá mais para você andar com segurança pelas ruas.
Dentro de casa é a mesma coisa. Um dia você sai e quando volta encontra sua casa toda revirada quando encontra alguma coisa.
Não dá mais pra agüentar, e não adianta viu, se não tem dinheiro é o relógio, o carro, o aparelho de som, os cds! Tênis com mola então é a rodo.
Te levam tudo, até o seu umbigo!

(Foco ao fundo. Se despindo de um terno)
2:
Eu tinha acabado de parar o meu carro no estacionamento, parti em direção do escritório que fica do outro lado da rua quanto alguém esbarrou em mim com certa força. Não deu pra ver quem era.Tinha muita gente para atravessar, estávamos esperando o farol enfim, quando dei por mim já estava sem o umbigo!

(Foco ao lado direito)
3:
Eu estava saído do cinema com meu namorado, estávamos meio bobos sabe, com aquela sensação estranha, meio moles ainda, viajando na história do filme e...
Quando chegamos à rua cadê os nossos umbigos?
Temos seguro, mas temos que pagar a franquia.
(Foco no centro frente)
4:
Eu estava passando ali por baixo da marquise da Praça Roosevelt e um homem mal encarado estava vindo de encontro a mim. Logo percebi que boa coisa não seria então me virei para voltar. Foi aí que eu dei de cara com um outro homem mais mal encarado ainda... Não teve jeito. Aquele cara com olhos fundos e um puta mau hálito segurou meus braços e disse bem perto do meu nariz:
- Cadê o seu umbigo?
- Uê o meu umbigo? Questionei segurando a respiração.
Ele:
-É, o seu umbigo, cadê? Eu quero ele pra mim.
Eu tentei me soltar, mas o outro cara que vinha de encontro agora me enconchava por trás com uma coisa dura que eu podia sentir na altura do meu cóccix. Eu estava bem no meio de uma situação muito desagradável ou não. Pensei, agora é relaxar e gozar.
O cara da frente foi enfiando a mão dentro da minha calça.
-Meu umbigo não está aí! Eu disse. Enquanto o outro por trás me apertava e levava suas mãos, as duas, em direção aos meus seios.
-Aí também não está!
-Cala essa boca menina e não reage que a gente não vai te machucar!
Senti um frio na espinha que veio subindo desde ali, do cóccix, até a nuca.
-Ela tá gostando, olha só, ta toda arrepiada! Falou o de trás.
O da frente de repente arregala os olhos afasta sua cara da minha e:
- Nossa, que troço é esse?
-Não é meu umbigo! Disse.
- Puta meu ela tem um cacete!
O de trás:
-O que? Se afastando – Como assim?
O da frente:
-Caralho, e é maior que o meu.
O de trás:
-Puta que pariu meu, tu é homem!
Eu disse sim e não, depende do angulo de visão.
-Porra meu, sai pra lá traveco. Disse o de trás meio enojado.
O da frente meio confuso disse:
- Escuta aqui cara, você não tem vergonha na cara não? Vai anda logo passa esse umbigo pra cá e sai andando vai.
(levantando placas de protesto)
Todos:
Não dá mais pra agüentar!
Temos que tomar uma atitude...
Toma Danapi...
Se ninguém faz nada, nós temos que protestar...
Ao fim da Violência... É isso aí... Huruuuu! Vamos dar um pau neles...
Não! Sem pau, vamos na maciota!

(Do Prédio)
Visinho:
Olha essa algazarra aí em baixo...Vamos calar a boca!

(Para o Prédio)
1:
Não é algazarra não amigo, isso é um protesto a violência.
Alguém precisa nos ouvir, do jeito que ta não dá pra continuar...

(se mantendo na janela)
Vizinho Legal:
É isso aí, estou com vocês, esse é o barulho do bem estar.
Temos que começar um movimento em prol da paz e boa qualidade de vida!

2:
Obrigado pelo apoio companheiro.
Vamos ganhar as ruas, as calçadas... Vamos reaver o que é nosso por direito de cidadão.
O grito de ordem é... DEVOLVA O MEU UMBIGO... DEVOLVA O MEU UMBIGO...

Todos:
DEVOLVA O MEU UMBIGO... DEVOLVA O MEU UMBIGO... DEVOLVA O MEU UMBIGO...
(O visinho reclamão com o pé quebrado e de muletas desse até a rua)
Vizinho:
Que gritaria é essa em plena praça pública? Vamos sossegar as periquitas, todo mundo calando a boca. Que barulho mais sem sentido...
Baderneiros semi-nús promovendo uma putaria em praça pública e ainda por cima sem seus umbigos... A essa hora!!!

3:
Calma meu querido a gente só está...

Vizinho:
Querido o caralho, pra você é Doutor. Eu estudei pra isso.
Vamos parar já com essa baderna a essa hora senão eu vou chamar a polícia!

1:
Companheiro são duas horas da tarde!

Vizinho:
É Doutor... E vamos vestindo as roupas senão todo mundo vai entrar no cacete...

4:
Hum!

1:
Senhor Doutor, mas não estamos fazendo nada de errado, estamos justamente protestando contra a violência, contra a falta de segurança. Estamos no nosso direito.
Nós somos as vítimas. O que fazemos é de direito, é liberdade de expressão, já ouviu falar?

Vizinho:
Liberdade de expressão...Vitimas uma ova! Sem umbigo vocês não são nada. Vamos caçando o rumo de casa vai...

3:
Me desculpe meu amigo mais nos temos o direito de protestar pacificamente...

Vizinho:
Quantas vezes eu tenho que repetir, é Doutor, “cacete” eu já estou perdendo a paciência, mais uma eu caio de pau em todo mundo...

4:
Doutor "Cacete", o senhor poderia ser mais gentil...

(Partindo pra cima)
Vizinho:
Cacete é o que eu vou socar na tua bunda bicha do...

1:
Calma seu cacete, digo Senhor Doutor. Não vamos nos alterar. Com o dialogo podemos resolver essa questão civilizadamente.
 
4:
Que pena, não iria ser tão mal assim!

Vizinho:
Não temos nada para conversar, vamos circulando, circulando. Porque eu já estou louco pra distribuir pancada seus, seus, “Sem umbigos”!

Todos:
Hôôô! Mas... Nossa...Ai não...Pegou pesado... Mandou a mãe pra zona!

2:
Pera aí o senhor ta ofendendo! E o Senhor está com seu umbigo aí? Já Olhou pro seu umbigo “Hô Zé Ruela”?

(Levantando a camisa, sem umbigo, com um curativo)
Vizinho:
O que? Cadê o meu? Mas... Como pode, eu...Não é possível?!

Todos:
Está vendo seu “Oreia Seca”....
Até você já perdeu seu umbigo...
Teu passado te condena...
Da próxima vez dá uma olhada pro umbigo antes de falar dos outros...
Cabaço...
Vai pular amarelinha...

1:
Vamos embora gente, vamos ganhar as ruas vamos reaver o que é nosso...
DEVOLVA O MEU UMBIGO...DEVELVA O MEU UMBIGO...

(Saem todos com suas placas e o grito de ordem)

Vizinho:
Eu Vou processar todos vocês...

(Da janela de onde assistia tudo)
Vizinho Legal:
Ei, Psiu?!
“Zé Ruela”!!!

Blecaute

Pedra


Casca essa dura que envolve a perda.
Pedra pesada e cinza que sempre estará lá.
Não é sua, mas está lá e tu sabes que um dia pôde em suas mãos estar...
Como pode um amor tão leve e puro,
Endurecer e pesar tanto.
Antes havia flores entre as nuvens,
Borboletas...
Antes o cheiro era perfume,
Violetas...
Antes havia paixão.
Será que ela ou a falta dela seria a razão?
Se for por que me deixaste, oh paixão involuntária,
Entra pelos olhos, mela a boca e contamina
O coração?
Consome...
Adoece...
Perdura sob o tempo, este idoso.
Mas com muito mais vida pela frente.
Esta que pra mim será eterna.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Num Solto

Quero sentido daqui pra frente
Num solto sigo esta direção.
Para trás fica o que joguei pra longe
Porque fora não cabe, não interessa, é perto demais!
Para os lados, somente se meu corpo virar-se, assim lado virando frente
E sigo contínuo um rumo.
Focado não esperando senão, o inesperado,
Mesmo que o surpreendente seja me perder novamente.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pegando leve



Acho que eu peguei pesado no último post. Não deveria ter falado daquele jeito afinal serão os futuros rei e rainha da Inglaterra daqui uns 40 anos (se estiverem juntos)... E a distância da sacada até os portões era de no máximo 50 metros.
Pessoas, precisamos parar para pensar em que realmente nós incomoda e se isso que pensamos, é realmente o que faz diferença...
O tal casamento não vai mudar nada na minha vida de forma realmente relevante a não ser que eu vá morar na Inglaterra quando os pombinhos estiverem governando. Não estou pensando nisso...
Os Ingleses são mal educados, preconceituosos e pra eles, nós Brasileiros, não passamos de macacos e seremos sempre tratados como animais inferiores.
E por falar em macacos, Moralismo não leva a evolução, aliás, o mundo está do jeito que esta, justamente por causa do moralismo.
O que é o moralismo?
A maior representação do moralismo é a burca!! Esconde a beleza e a naturalidade do ser humano e o faz viver fechado, triste, artificialmente.
Por que eu escrevi assim? Pensou nisso? E por que não se perguntou? Será que foi por ter ficado preso na mesma idéia que alimenta esse tipo de manifestação (o circo do casamento; ouça isso; vista aquilo; coma isso aqui também...)?
A pergunta é por que?
...Victor Hugo, Marquês de Sade...
Sou a favor da liberdade, do amor, da paz e sexo bom é o sexo safado...

O Império do Grotesco

1a. edição,

Muniz Sodré Araújo Cabral ...

Mauad Editora

Veja ficha completa

Produto em estoque

Previsão de entrega (saiba mais)

0800-140090
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De: R$ 35,40
Por: R$ 29,40
No começo do novo milênio, torna-se cada vez mais evidente que o grotesco é algo recorrente não apenas nas artes, como também na vida contemporânea, com um retorno preponderante na televisão, sem que se registrem estudos compreensivos sobre o fenômeno.
Este livro traz uma visão ampla sobre a questão, examinando a sua genealogia como uma categoria estética importante, associando-a a atitudes e deslindado o seu papel na formação de públicos de massa na contemporaneidade.
O livro apresenta uma conceituação clara do grotesco como estética da tensão dos estados fronteiriços entre o humano e o animal e, depois, a sua articulação com as diversas manifestações na indústria do entretenimento, sem esquecer os seus momentos críticos.
Esta análise aborda literatura, cinema e até formas de vida, com ênfase especial à televisão, cujos pactos simbólicos com o grande público privilegiam o grotesco chocante.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Triste Realidade



“Real-mente” não dá pra entender essa manifestação esdrúxula na Inglaterra! É de dar medo, cara!  A imprensa fica toda alvoroçada dando notícias bestas sobre um simples casamento de um casal em uma ilha lá do outro lado do mundo. (Aqui, para a alegria de todos e a felicidade geral da nação, reformulei o que eu havia dito antes com palavrinhas mais agradáveis afinal eu sou um moço educadinho...) Ficam introduzindo o assunto e o mais engraçado é que todo mundo parece deixar o assunto entrar gostoso! (na mente, dentro da cabecinha). Avuta que pariu mano!? Neguim gosta de levar Nabunda (Nabunda é o cachorrinho que atravessa o rio). O pobre animalzinho não sabe nadar. (...a partir daqui continua tudo igual. Hihihi!) Finalmente casaram! E pela TV a gente acompanha aquele circo todo... Como se fosse um show pontual em um parque de diversões , afinal é o casamento de uma Princesa plebéia com um príncipe, que diga-se de passagem não tem muito de encantado, é careca e veste uma roupa com cor de água de salsicha. Aliás, ele ainda é de uma geração mais bonitinha né, porque oh genética feia essa da “família real britânica”. Só foi melhorar depois que o Charles trepou com a Daiana... Cara de sorte... Feio, narigudo e orelhudo, uma pele escamosa... Comeu a Daiana, aquela gostosa! Sorte uma ova... O cara era o sucessor do trono, tem status de metro, não precisa nem ter pinto grande, e é disso que a mulherada gosta, de status, não de pinto grande. Vi isso no Discovery Channel. Fizeram uma pesquisa sobre isso, é da natureza da mulher. Enquanto a gente busca uma bunda sarada, elas querem saber de grana, carrão e se o cara manda ou desmanda!  É, pensando bem o cara tem sorte sim, eu que sou azarado! Daiana... Daiana... Ela era gostosa... Na adolescência eu certamente devo ter homenageado ela muito no banheiro. É que eu não lembro, foram tantas as homenageadas... dava até calo! A Kate também não fica pra trás não, mas tem uma carinha de psicopata... Hoje de manhã, enquanto eu me arrumava para sair de casa, liguei a TV , aí,  como só passava isso na TV,  dei uma as-sis-ti-di-nha... Estavam todos esperando a aparição na janela para o “beijo-real” (assim disse o jornalista). Como se os que eu dou na mulherada não fossem de verdade! Bom, fiquei lá na expectativa... Aí apareceram umas sombras na janela, os jornalistas pareciam crianças esperando a chegada do Papai Noel (esse pelo menos trás presente), acho que eram os seguranças... Meche a cortina pra lá, meche pra cá, pimba abre-se a porta e saem aqueles serem exóticos todos em filinha para fora da sacada – que ficava a uns 350 metros dos portões trancados, protegidos por seguranças, e atrás dos portões, uma multidão de pessoas, todas vestidas com as cores da bandeira britânica, exibiam bandeirinhas da Inglaterra, chapéus esquisitos, crianças de cavalinho no papai... Pipoca, algodão doce, churrus, balões, um bêbado fazendo xixi no canto esquerdo ao fundo, uma striper mostrando os peitos, um jovem batendo a carteira o cidadão distraído, um cachorro revirando o lixo do carrinho de lanche, uma girafa de pescoço torto, uma doninha, uma hiena risonha, lémures saltitantes, uma lagartixa, um ornitorrinco (e olha que esse bicho só tem na Austrália), o Wally chupando um picolé... Há tinham uns malucos se banhando na fonte também!!! Aff...
Gente pra mim aquilo parecia um “flash-mob zoomórfico”, uma interferência animalesca ao ar livre onde o que me chamava à atenção eram os portões trancados e a distância que separava a galera plebéia da galera real... Fiquei pensando, mano, é bem isso, existe um abismo enorme distanciando esses dois grupos. Um, o maior, olha para aqueles que estão lá longe atrás das grades, no alto da sacada e de uma certa forma patética projetam seus sonhos naquele estilo de vida, naquela verdade, naquele status, naquele poder e ficam maravilhados quase que hipnotizados por serem tão, tão... tão... NORMAIS, parecidos com eles, tão animais que só estão ali porque são sustentados por esse grupo maior, perceba, MAIOR... Entendeu?
O outro, menor, da sacada acena para aquela multidão bem distante em um nível inferior há 350 metros, atrás dos portões bem trancados, rodeados por seguranças, maravilhados com o poder que exercem... A mais velha, vestida de amarelo, a coruja Tawny, manda na “tchurma”, um lagarto azul e vermelho com o nome de Mwanza Headed Agama Lizard, um ouriço europeu, um red deer  (espécie de antílope), alguns esquilinhos vermelhos... Uma salamandra Axolote vestida de branco (muito usadas como animaizinhos de estimação na Inglaterra)... Que fofa!!  E ??? E aí? Não se misturam, depois voltam pra dentro. Ponto.
 São sustentados por aquela fauna inteira lá fora. Estão bem protegidos. Para os passeios, seus carros são blindados, seguros dos perigos da floresta de sherwood.  
Com o que eles estão preocupados agora que voltaram pra dentro?
Lua de mel de 2 anos, elaiá...
Pronto, casaram-se né... Agora, enquanto tiver plebeus preocupados com a rotina dos outros e pouco valorizarem suas próprias vidas, a mídia vai vender informações inúteis, fofocas, fotos íntimas... Vão copiar vestidos, enfim, nada que faça REAL diferença em nossas vidas...
Esse comportamento vai se estender até o dia do divórcio quando seremos novamente bombardeados por toda essa FARSA.
Real pra mim, é a minha vida e os leões que tenho que domar (pra não dizer matar porque sou protetor da natureza) diariamente pra existir nesse habitat vergonhoso e ridículo.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Tô vivo

Fui empurrado para dentro de um poço escuro.  Ao cair, choquei-me contra as rochas quebrando os ossos e esfolando muito a pele até chegar ao chão. Com o baque, perdi por alguns instantes o ar. As rochas também foram o que amorteceram minha queda até o fundo.  Ele é bem fundo...
Depois de ser empurrado fui deixado aqui... para morrer!
Por alguns instantes pensei que iria ficar aqui pra sempre... Comecei a  gritar por socorro com muita dificuldade e minha voz não chegava até a luz lá em cima. Foram instantes perversos...
Mas agora, agora estou bem... Estou bem melhor ...  Ainda muito assustado por estar dentro do poço, mas alguém acaba de me jogar uma corda:
- Ei, vc está bem, pode me ouvir?
- Tô vivo!
- Eu vi quando te empurraram ... Não pude evitar, mas... Mas eu vou te tirar daí!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Vontade de ir sem parar.

Hoje estou com vontade de sair correndo em direção ao descampado verde. Correr sem parar pra ver se deixo para trás esse azucrino que teima em me cercar. Quero sentir o vento bem forte na cara com a toada da correria, quero olhar pra cima, pra nuvem gigante e num solto, passar por cima dela... Ou por dentro tanto faz! O que eu quero é voar. Quero seguir o sol... Quero o dia claro pra sempre nem que pra isso eu nunca mais tenha que parar. Mas também quero ir pro espaço que é preto e ter a qualidade de possível respirar.
Quero ser leve, livre e espontâneo sem peias. Ôh vontade danada de não ficar parado, de ir pra frente sem olhar pro que fica pra trás.