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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Indigência

A minha vontade é de não pensar mais nela.
Não falar com ela,
E nem dela.
Não encontrá-la,
Não tê-la conhecido.
Mas eu a conheci,
A encontrei.
E dela eu falei,
Com ela também.
Essa minha indigência que  não me deixa esquecê-la!

Relações sociais.

Engraçado como as pessoas estão se relacionando hoje em dia.
Como eu me relaciono?
Isso é o engraçado, não sei e acho que muitos não sabem!
É verdade oras, o casamento por exemplo, não passa de uma instituição falida a muito tempo.
Quem são os novos casados? Quantos são? Quanto tempo ficarão casados consumindo o que a sociedade moderna lhes oferece?
Puta que pariu a igreja já não está dando conta de sustentar suas mentiras...
O governo, bem, esse sim mantém o povo do jeitinho que ele quer.
E quem governa???
Isso também é engraçado, têm gente que não sabe.
Quer saber, sociedade moderna de cú é rola! A real é que a cada dia que passa; a cada computador mais inteligente; a cada Record batido; a cada geladeira maior ou a cada modelo novo na vitrine, o homem se aproxima mais da sua verdadeira vontade existencial – a de gozar e de andar pelado. Não fui eu quem disse, Freud deixou isso registrado nas entrelinhas de suas pesquisas. Não, não o levem a sério! Yung  seguiu outras vertentes, Moreno, Stainer...
Vai toma no cú!
Razão, quem tinha foi aquele que criou a primeira história mitológica.
Por mais que inventamos, melhoramos ou sei lá que caralho endureça, ainda não entenderemos o porquê de tudo... O que é esse grande cosmo que vivemos?
De onde saiu tudo isso?
De um grande Bum? Certeza mesmo não temos, mas é o que se mostra mais plausível e arrisco a chutar que será com um grande Bum (e nem precisa ser tão grande) que tudo vai sumir.
Eu acho é que estamos atrasados pra burro!
Mas não posso me revoltar e xingar porque é politicamente incorreto.
Ah se eu pego o fidumaégua que criou essa expressão...
Hipócrita lazarento.
Já que estamos aqui vamos viver, e se preocupar em estar porque ser, todo mundo é.
Será que ninguém sacou?
Precisa grifar?
Hum! É eu sei que exagero...

Ontem e hoje

Ontem...
O que eu posso oferecer... O meu sorriso nada mais.
Sedutora, se deixa seduzir... Pelos olhares, pela juventude.
Responde ao meu chamado... Da festa!
De lá ela me tira e juntos partimos.
Conheço seu ninho, seu cheiro, seu corpo e apresento-me ingênuo.
Deixo-me levar pela onda, sonora, ao fundo Follow me around – Radiohead.
Com sua hipnose experiente faz-me segui-la... Não há como...
Não há...
Banhamos-nos juntos realçando o sabor
Entrelaçado em seu corpo, desenho formas, sinto seu gosto...
Encontram-se os lábios que se perdem.
Paredes multicoloridas refletem o fulgor de nossas chamas.
E ela me mostra, mesmo que só por uma noite, como amar em seu pleno sentido, completo!
A noite vai passando. As estrelas acima do teto onde, entre cochilos e amasso estamos, deslizam pelo céu que antes negro agora brilha a luz solar.

Hoje...
O que eu tenho é pouco... não tenho mais.
Segura, não se deixa segurar... Mantém-se antagônica.
Afasta de si o cálice.
Rejeita-me, corrobora notícias incertas.
Interdita meu acesso e neutraliza meus sentidos, serve-se de minha distração.
Busco conforto na música alta e bufante  Exit music (for a film)– A mesma banda.
Entorpecido ao som, tudo passa como em uma película... Não há como...
Não há...
Banho-me só, sem paladar.
No espelho logram gotas, disformes, amargas...
Sem encontros ou desencontros.
Muralhas se erguem ao redor com pedras grandes e pesadas.
Não mais terei, nem por uma noite sequer, como amar em seu pleno sentido, mutilado!
A escuridão é inflexível. Nuvens cerradas escondem, durante a insônia e o desassossego, o nascer do dia que como mais um dia cobra seu raiar.

Do que estamos falando...

O momento em ação, na hora do seu acontecimento... 
No momento em que eu estava lá e tudo estava acontecendo.


Para falar a verdade, isso acontece todos os dias. 
Está acontecendo agora, e agora, e vai continuar acontecendo... 
Não eu narrar a verdade... Ops! Não que eu não diga somente a verdade. Eu não digo... Digo, digo. Somente acho que há alguém mentindo... Mas não é sempre que eu tenho olhos, pra isso... De desnudar a verdade ou, a falta de...

Pode ser por isso!
Hoje os Deuses do Teatro me presentearam com essa aguçada percepção. Antes de tudo eu gostaria de agradecê-los e, muito, muito Obrigado.
Estamos em todo lugar. 
Bastamos nos bem-relacionar com as variadas formas expressivas de cada individuo. 
Somos nós que temos o que ensinar uns aos outros. 

Patriota, luta pelos seus direitos... 
Não deixa na mão de político corrupto, não! 
O que não quer dizer que eu não goste da minha mãe Terra. È ela que devemos proteger. É ela que devemos amar.
Já passou pela sua cabeça que, seus netos ou bisnetos, não terão para onde ir quando o Planeta apagar? Puf! Apagar!
Não é pra mudar de assunto não, ultimamente político algum se interessaria pelo assunto. Disse claro algum, porque não gosto de generalizar. 
Sempre acredito que existe esperança, pra depois ir ver se tem alguma pra mim!

Não temos nada, nenhum acordo firmado ou documento assinado. Sequer lavrado!
Saiu alguma coisa no jornal? E no programa de fofocas? Será que eu devo ter visto alguma coisa parecida naquele canal que fala de animal?
Se alguém sabe de um lugar para fugir, meu amigo, você acha que ele vai te avisar? Senta e espera! 
Assim é um a mais para colaborar com o arrefecimento do aquecimento global. 
Palavra difícil né, pois é. Difícil é entender o que advir. (Se eu estiver errado alguém me "correge").
A Terra está aquecendo e para que isso pare, todo mundo têm que parar. Você, pretende parar? Eu?
Como assim?
Será o que mais vamos ouvir. 
E o pior, seremos nós que estaremos falando, um para o outro! 
Você fala eco, ele responde eco, você eco, ele eco... eco... eco... Fala e escuta, fala e escuta, de você para você, de você para você. E vai se perder no espaço, que não está vazio. Eu olho através das coisas, seguindo a regra do Estadão – ver algo ou alguém que se encontra do outro lado de uma superfície transparente. Está ali, tenho certeza e isso ninguém tira da minha cabeça!
Do que estávamos falando mesmo?

É por aí!Você me entende?





De costas para o espelho

Meu coração sangra
Não vejo mas sinto.
Dor seca dentro do peito
Destrói por dentro
Eu sinto.
Dissolve os vasos sanguíneos
Aos poucos me anula,
Sai rasgando.
Não quero.
Tenho medo de desaparecer...
Mas minha vontade cresce,
De me esconder
Do mundo a cada batida.
O espelho,
Já não tenho coragem de encarar!

Teste

Ator:
O que eu vou falar para você é de extrema importância, então me escute com muita atenção.
Eu quero atenção, muita atenção no que eu vou falar.

Diretor:
Então espera aí, começa de novo!

Ator:
O que eu vou falar para você é de extrema importância, então me escute com muita atenção.
Eu quero atenção, muita atenção no que eu vou falar para que você não esqueça.Vou falar de uma forma rápida e clara.

Diretor:
Nossa, vai de novo aí vai!

Ator:
O que eu vou falar para você é de extrema importância, então me escute com muita atenção.
Eu quero atenção, muita atenção no que eu vou falar para que você não esqueça.Vou falar de uma forma rápida e clara e só vou falar mais uma vez então eu preciso que você  preste atenção em mim agora com todas as suas forças.

Diretor:
Putz cara não fica chateado não mas vai , fala de novo!

Ator:
O que eu vou falar para você é de extrema importância, então me escute com muita atenção.
Eu quero atenção, muita atenção no que eu vou falar para que você não esqueça.Vou falar de uma forma rápida e clara e só vou falar mais uma vez então eu preciso que você  preste atenção em mim agora com todas as suas forças. Por favor preste atenção agora
no que eu vou falar pelo amor de Deus! Eu imploro...

Diretor:
Bom... Muito bom, perfeito olha só, o Pessoal da luz, vocês gostaram?

Pessoal da luz:
Opa, muito bom olha, muito bom mesmo! Gostamos, é isso ai!
Escuta, pede para ele fazer de novo!

Diretor:
Você faz esse favor para gente?

Ator:
?

Blecaute

Levaram meu umbigo!

(Foco de luz no canto esquerdo do palco personagem 1 sem camisa e com um curativo no umbigo).
1:
A coisa tá feia. Não dá mais para você andar com segurança pelas ruas.
Dentro de casa é a mesma coisa. Um dia você sai e quando volta encontra sua casa toda revirada quando encontra alguma coisa.
Não dá mais pra agüentar, e não adianta viu, se não tem dinheiro é o relógio, o carro, o aparelho de som, os cds! Tênis com mola então é a rodo.
Te levam tudo, até o seu umbigo!

(Foco ao fundo. Se despindo de um terno)
2:
Eu tinha acabado de parar o meu carro no estacionamento, parti em direção do escritório que fica do outro lado da rua quanto alguém esbarrou em mim com certa força. Não deu pra ver quem era.Tinha muita gente para atravessar, estávamos esperando o farol enfim, quando dei por mim já estava sem o umbigo!

(Foco ao lado direito)
3:
Eu estava saído do cinema com meu namorado, estávamos meio bobos sabe, com aquela sensação estranha, meio moles ainda, viajando na história do filme e...
Quando chegamos à rua cadê os nossos umbigos?
Temos seguro, mas temos que pagar a franquia.
(Foco no centro frente)
4:
Eu estava passando ali por baixo da marquise da Praça Roosevelt e um homem mal encarado estava vindo de encontro a mim. Logo percebi que boa coisa não seria então me virei para voltar. Foi aí que eu dei de cara com um outro homem mais mal encarado ainda... Não teve jeito. Aquele cara com olhos fundos e um puta mau hálito segurou meus braços e disse bem perto do meu nariz:
- Cadê o seu umbigo?
- Uê o meu umbigo? Questionei segurando a respiração.
Ele:
-É, o seu umbigo, cadê? Eu quero ele pra mim.
Eu tentei me soltar, mas o outro cara que vinha de encontro agora me enconchava por trás com uma coisa dura que eu podia sentir na altura do meu cóccix. Eu estava bem no meio de uma situação muito desagradável ou não. Pensei, agora é relaxar e gozar.
O cara da frente foi enfiando a mão dentro da minha calça.
-Meu umbigo não está aí! Eu disse. Enquanto o outro por trás me apertava e levava suas mãos, as duas, em direção aos meus seios.
-Aí também não está!
-Cala essa boca menina e não reage que a gente não vai te machucar!
Senti um frio na espinha que veio subindo desde ali, do cóccix, até a nuca.
-Ela tá gostando, olha só, ta toda arrepiada! Falou o de trás.
O da frente de repente arregala os olhos afasta sua cara da minha e:
- Nossa, que troço é esse?
-Não é meu umbigo! Disse.
- Puta meu ela tem um cacete!
O de trás:
-O que? Se afastando – Como assim?
O da frente:
-Caralho, e é maior que o meu.
O de trás:
-Puta que pariu meu, tu é homem!
Eu disse sim e não, depende do angulo de visão.
-Porra meu, sai pra lá traveco. Disse o de trás meio enojado.
O da frente meio confuso disse:
- Escuta aqui cara, você não tem vergonha na cara não? Vai anda logo passa esse umbigo pra cá e sai andando vai.
(levantando placas de protesto)
Todos:
Não dá mais pra agüentar!
Temos que tomar uma atitude...
Toma Danapi...
Se ninguém faz nada, nós temos que protestar...
Ao fim da Violência... É isso aí... Huruuuu! Vamos dar um pau neles...
Não! Sem pau, vamos na maciota!

(Do Prédio)
Visinho:
Olha essa algazarra aí em baixo...Vamos calar a boca!

(Para o Prédio)
1:
Não é algazarra não amigo, isso é um protesto a violência.
Alguém precisa nos ouvir, do jeito que ta não dá pra continuar...

(se mantendo na janela)
Vizinho Legal:
É isso aí, estou com vocês, esse é o barulho do bem estar.
Temos que começar um movimento em prol da paz e boa qualidade de vida!

2:
Obrigado pelo apoio companheiro.
Vamos ganhar as ruas, as calçadas... Vamos reaver o que é nosso por direito de cidadão.
O grito de ordem é... DEVOLVA O MEU UMBIGO... DEVOLVA O MEU UMBIGO...

Todos:
DEVOLVA O MEU UMBIGO... DEVOLVA O MEU UMBIGO... DEVOLVA O MEU UMBIGO...
(O visinho reclamão com o pé quebrado e de muletas desse até a rua)
Vizinho:
Que gritaria é essa em plena praça pública? Vamos sossegar as periquitas, todo mundo calando a boca. Que barulho mais sem sentido...
Baderneiros semi-nús promovendo uma putaria em praça pública e ainda por cima sem seus umbigos... A essa hora!!!

3:
Calma meu querido a gente só está...

Vizinho:
Querido o caralho, pra você é Doutor. Eu estudei pra isso.
Vamos parar já com essa baderna a essa hora senão eu vou chamar a polícia!

1:
Companheiro são duas horas da tarde!

Vizinho:
É Doutor... E vamos vestindo as roupas senão todo mundo vai entrar no cacete...

4:
Hum!

1:
Senhor Doutor, mas não estamos fazendo nada de errado, estamos justamente protestando contra a violência, contra a falta de segurança. Estamos no nosso direito.
Nós somos as vítimas. O que fazemos é de direito, é liberdade de expressão, já ouviu falar?

Vizinho:
Liberdade de expressão...Vitimas uma ova! Sem umbigo vocês não são nada. Vamos caçando o rumo de casa vai...

3:
Me desculpe meu amigo mais nos temos o direito de protestar pacificamente...

Vizinho:
Quantas vezes eu tenho que repetir, é Doutor, “cacete” eu já estou perdendo a paciência, mais uma eu caio de pau em todo mundo...

4:
Doutor "Cacete", o senhor poderia ser mais gentil...

(Partindo pra cima)
Vizinho:
Cacete é o que eu vou socar na tua bunda bicha do...

1:
Calma seu cacete, digo Senhor Doutor. Não vamos nos alterar. Com o dialogo podemos resolver essa questão civilizadamente.
 
4:
Que pena, não iria ser tão mal assim!

Vizinho:
Não temos nada para conversar, vamos circulando, circulando. Porque eu já estou louco pra distribuir pancada seus, seus, “Sem umbigos”!

Todos:
Hôôô! Mas... Nossa...Ai não...Pegou pesado... Mandou a mãe pra zona!

2:
Pera aí o senhor ta ofendendo! E o Senhor está com seu umbigo aí? Já Olhou pro seu umbigo “Hô Zé Ruela”?

(Levantando a camisa, sem umbigo, com um curativo)
Vizinho:
O que? Cadê o meu? Mas... Como pode, eu...Não é possível?!

Todos:
Está vendo seu “Oreia Seca”....
Até você já perdeu seu umbigo...
Teu passado te condena...
Da próxima vez dá uma olhada pro umbigo antes de falar dos outros...
Cabaço...
Vai pular amarelinha...

1:
Vamos embora gente, vamos ganhar as ruas vamos reaver o que é nosso...
DEVOLVA O MEU UMBIGO...DEVELVA O MEU UMBIGO...

(Saem todos com suas placas e o grito de ordem)

Vizinho:
Eu Vou processar todos vocês...

(Da janela de onde assistia tudo)
Vizinho Legal:
Ei, Psiu?!
“Zé Ruela”!!!

Blecaute